quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Racionalidade das Expectativas de Inflação

O papel das expectativas de inflação na política econômica é fundamental. Com o desenvolvimento do pensamento sobre expectativas se colocou em dúvida (na época) uma importante relação consolidada até então, a curva de Philips (que estabelece um trade-off entre inflação e desemprego). Dependendo da visão que se tem sobre as expectativas a curva se comporta de uma maneira.

Não apenas neste caso, mas o papel das expectativas ainda é relevante para o estudo do comportamento de diversas variáveis na Economia, como por exemplo regras de política monetária (regra de Taylor). Primeiramente, é necessário se deixar claro que no avanço do estudo sobre o tema se passou de modelos bastante simples de formação de expectativas para assim chegarmos nas mais importantes, a saber, adaptativas e racionais.

As expectativas adaptativas são derivadas de um modelo de defasagens distribuídas, que diz que o efeito de uma política se dá em diversos períodos ao longo do tempo e com impactos diferentes em cada um. As expectativas adaptativas são portanto, uma visão backward-looking da formação de expectativas, sendo o seu valor determinado pelo valor passado. Com o passar do tempo, viu só que não apenas o valor passado determinava o valor presente da inflação como se pode trabalhar em qualquer defasagem temporal, sendo o valor presente determinando o valor futuro da inflação.

Assim surge a a hipótese das expectativas racionais. A grosso modo, ela diz que a previsão de cada agente não é melhor nem pior que da previsão da própria teoria, isto é, os agentes utilizam da melhor forma possível a informação relevante do momento. Por ser uma das teorias mais relevantes e ainda consistente com a teoria econômica, faremos a seguir um teste para ver se em um caso específico da economia brasileira a hipótese se aplica:

O exercício que segue serve para ver se as expectativas medianas do Banco Central do Brasil seguem comportamento racional. Alguns esclarecimentos são necessários:
i) Está se usando o agente mediano das expectativas do Banco Central, isto é, a expectativa mediana para 12 meses a frente. Logo, não se está analisando a eficácia do Banco Central ao prever o valor da inflação.
ii) A regressão utilizada é da forma IPCA(t) = a + b.Expec(t,t-12) + erro.
iii) Expec (t,t-12) quer dizer: expectativa de inflação para t há 12 meses atrás.
iv) Será feito um único teste de racionalidade, logo, o resultado pode ser visto apenas como um indício e não a comprovação de que a expectativa mediana segue ou não racionalidade.
v) Com o teste de viés de expectativa, espera-se que para haver racionalidade o valor da constante "a" seja zero e do coeficiente "b" da equação deveser igual a um.
vi) Os dados foram retirados do Banco Central do Brasil. Expectativa mediana de inflação ao consumiro (IPCA) para 12 meses a frente e inflação mensal (acumulada em 12 meses). O período da amostra é de dez/2003 a ago/2008.

Resultados da Regressão:



Com a hipótese nula de que os coeficiente "a" e "b" conjuntamente sejam insignificantes, rejeita-se essa hipótese (prob (F-statistic) = 0.000005). De tal maneira, o teste F necessita da hipótese de normalidade dos resíduos, que não precisa ser especificada aqui. A racionalidade é novamente rejeitada com os resultados do Teste Wald, onde se rejeita a hipótese de que os valores são zero.

De tal maneira, não se pode afirmar que o valor é estatisticamente igual a zero. Sendo assim, o que o resultado demonstra é que a previsão mediana para o IPCA 12 meses a frente pelo Banco Central não deve apresentar comportamento racional, uma vez que ele não passou no teste de viés. Ele erra a previsão e o faz sistematicamente.

Lembrando que esse é apenas um dos testes. Esse teste é um dos que compõem a minha monografia, cujo tema é justamente os testes de racionalidade das expectativas de inflação.

Agradeço ao Pedro Sant'Anna (Homo Econometricum) pela correção nos comentários.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Arranjar sarna pra se coçar

É com essa frase do ditado popular brasileiro que começo o tema de hoje. Creio que estejam todos cientes do que aconteceu na Uniban semana passada.

Pois é, esse fato repercutiu no mundo todo chegou até nós, em Porto Alegre. Em uma campanha sem sentido o pessoal da UFRGS saiu pelo campus do centro reivindicando sabe-se lá o quê. O que que um fato a ver com o outro? O caso aconteceu lá, as regras da universidade de lá diz uma coisa, a regra dessa universidade diz sabe-se lá o quê, mas me diz qual o motivo para se fazer tal algazarra?

A única explicação possível é o amor pelo motim. Um liga pro outro perguntando qual é o protesto da semana. A coisa por aqui tava fraca e resolveram inventar um "importado".

Primeiro, esse pessoal não entende que as pessoas têm a liberdade para se vestir como quiser, desde que de acordo com as normas. O cara pode ir pra aula sem camisa? Claro, só que o professor tem o direito de não deixá-lo assitir aula. Ainda mais, o segurança tem o direito de sequer deixar o peladão entrar no prédio. Desde que esta seja a norma do local, é claro. Assim, as pessoas têm liberdade de vestir uma camisa do Che ou uma camisa do Friedman, uma camisa rasgada ou uma fantasia do Bozo, desde que estejam dentro das normas.

A questão central ainda é válida e a resposta ainda é incerta. Creio que o simples gosto pela baderna supere qualquer outro motivo lógico para tal manifestação.

E ai André e Oscar, o de amanhã, qual vai ser? Ou vocês já estão com sarna suficiente pra se coçar?

Viés da prova do ENADE

Não tem como fugir de ideologia fazendo uma prova dessa, mas tem como ser tão escancarada. Os professores que elaboram essas provas deviam pensar um pouco nisso.

Primeiramente, toda questão de "cultura geral" podia ter mais de uma resposta dependendo da ideologia que você seguir. O esquema, como um amigo meu falou, é vestir a camisa do PT e fazer a prova. Outro amigo me disse que é colocar o bonézinho do MST e começar a responder as questões. Alguma semelhança nos argumentos? Pois é, algo deve estar errado.

Conforme o final do último post, temos ali uma versão clara do que é a ideologia em uma prova. Aquela questão sobre o Lula foi de uma prova diferente da minha, por que caso contrário, eu teria deixado de fazer a prova na mesma hora. Agora analisarei uma questão da minha prova, de Ciências Econômicas.

Questão 2.

Não ligo para o resultado, mas já adianto que errei a questão. Pode ser que minha explicação não faça sentido, mas entendam como evolui da leitura da pergunta até a resposta final:

A primeira imagem (gráfico) diz que a Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE indica o número de crianças e adolescentes que estão trabalhando. A evolução do gráfico indica um aumento da população infantil trabalhadora. Pensando sobre a pesquisa do IBGE, tudo me levou a crer que "bandidagem" não seria considerada pelo IBGE como emprego. Tudo bem.

Olhando para a segunda imagem, temos uma criança (da mesma idade da pesquisa) dizendo que o primeiro emprego dela é assalto à mão armada (tá, ela não fala isso, mas dá a entender).

A pergunta da questão era pra saber se as imagens estavam relacionadas entre si. Coloquei que não devido ao seguinte fato: A primeira imagem indica que o número de crianças que trabalham (seja onde for, mas é onde o IBGE considera emprego) está aumentando, a segunda imagem indica que a criança não está trabalhando (segundo o IBGE), logo, não há relação entre as duas.

Essa foi apenas a minha visão na prova. Mas creio que ela pode ser a visão de mais pessoas que olharem para ela. O único problema, e este é meu ponto princpal, é que a questão não permite indicar uma resposta certa ou errada. Ela depende da ideologia. E uma prova não deveria ser assim. A resposta certa é C. Ou seja, temos que afirmar os tais problemas do Brasil.

A questão foi feita pra dar essa resposta, independente das imagens selecionadas (deveria ser o inverso). Símbolo de uma prova mal elaborada, que premia as instituições que mais conseguem passar a visão mainstream da selva, originária dos Unicamp Boyz aos seus alunos.

A "racional" proposta de boicote ao ENADE

Domingo fui obrigado a fazer a prova do Enade. Mesmo tendo o dedo quebrado há duas semanas em uma partida de basquete e estar com extrema dificuldade (para não dizer incapacidade) de escrever, não fui liberado nem assim. Até ai tudo bem. Escrevi as questões dissertativas com a mão esquerda, razoavelmente legível, mas parecia alguem recem alfabetizado. De qualquer forma, se fosse uma pessoa que não tivesse nem o mínimo de coordenação com a mão esquerda, quem seria o maior prejudicado? A Universidade. Aparentemente, pra mim a prova não vale nada.

O interessante é que antes da prova, lá mesmo no local havia um pessoal entregando uns folhetos com o seguinte tema: 10 Motivos para boicotar o ENADE.

Conclusão que cheguei (pela vigésima vez) é que o pessoal não tem nada pra fazer e arranja qualquer motivo para protestar, seja contra o que for. Falo isso porque um dos argumentos utilizado é o mesmo argumento adorado por eles em diversas outras ocasiões, escancarando a inconsistência do argumento. Eis o argumento:

"2 Obrigatoriedade - Torna-se um componente curricular obrigatório do estudante a realização do exame. Dessa maneira, todos os estudantes convocados devem estar presentes no local da prova, caso contrário, constará no seu histórico acadêmico a sua irregularidade".

Bom argumento. Aliás, excelente. O problema da inconsistência é que neste caso (e somentes neste) a questão da liberdade indivual é levado em conta. Os mesmos sujeitos que fizeram esse cartaz com esse argumento estará na outra semana utilizando argumento totalmente contrário para a gastança governamental escancarada em mais uma amostra de todo o conjunto de atitutes dos selvagens.

Neste caso, a liberdade individual não é levada em conta, onde se está implícito que se a gastança deve ser maior, esta deve ser financiada de alguma forma (impostos), o que sem precisar explicar muito, acaba com a liberdade das pessoas de escolher a melhor alocação do dinheiro ganho com seu trabalho.

Mais sobre a prova do ENADE ainda hoje. Uma palhinha. Dica do Homo Econometricum.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

IOF e suas distorções

As bolsas de valores de todo o mundo vêm sofrendo um movimento de recuperação nos últimos meses. Dadas as perspectivas de melhoras diante da crise econômica mundial, diversos ativos, como as ações, se valorizam no mercado. Nesse contexto, de menor aversão ao risco, os investidores deixam de aportar recursos em títulos muito seguros (e com menor rendimento) e passam a aplicar em papéis de economias emergentes como a do Brasil (com o intuito de auferir maiores rendimentos). Esse fluxo tem, como um de seus principais reflexos, a valorização do real frente ao dólar, cuja cotação é uma das menores dos últimos meses. Para conter essa queda, o governo recentemente lançou mão de uma medida que visa impedir tal movimento: a instituição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado de capitais estrangeiros que aplicam em títulos e ações da bolsa de valores no valor de 2%.

Os principais argumentos utilizados pelo ministro da fazenda, Guido Mantega, para justificar essa medida foram: evitar o surgimento de uma nova bolha especulativa no Brasil e conter a valorização do real, que prejudica os exportadores. Foi também uma forma do governo fazer caixa, frente à queda de arrecadação causada pela crise. No entanto, essa é uma medida que fere o livre mercado pelos seguintes motivos:

1) Instituir um “pedágio” para o investimento estrangeiro pode ter efeitos muito adversos. O investidor, ao analisar seus custos de oportunidade, pode chegar à conclusão que investir no Brasil não é a melhor escolha. Essa ação torna-se danosa, já que é de conhecimento comum que, para viabilizar o desenvolvimento econômico de um país, seu mercado de capitais deve ser sólido, o que inclui a presença de capitais de curto prazo, ou seja, capitais que visam ganhos num curto espaço de tempo. Nesse sentido, os efeitos de uma crise econômica qualquer serão maiores ou menores dependendo dos fundamentos macroeconômicos de cada país: e é justamente aqui que a ação do governo deve se centrar. A adoção de políticas econômicas responsáveis como superávit primário, metas de inflação, câmbio flexível, bom nível de reservas, entre outras, tornou a economia brasileira menos vulnerável a esses choques adversos quando comparamos o atual momento com relação há 10 ou 15 anos atrás.

2) A taxa de câmbio, como qualquer preço numa economia de mercado, deve ser livre para flutuar. Se isso não ocorre, os agentes econômicos têm incentivos distorcidos, o que gera uma má alocação de recursos. De fato, os exportadores deixam de ganhar quando o câmbio está valorizado, mas isso acaba reduzindo os custos para os importadores, que podem contratar mais, gerando renda. A percepção das pessoas com relação a essa mudança no preço relativo (real sobrevalorizado), fará com que as mesmas tenham estímulos para importar mais, viajar com maior freqüência para fora ou aplicar dinheiro no exterior, por exemplo, o que levará a taxa de câmbio para um equilíbrio. Ademais, diante do enfraquecimento do dólar, o Brasil pode importar uma maior quantidade de tecnologias do exterior, aumentando nossa competitividade e contribuindo para aumentar o crescimento econômico.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tradução do discurso presidencial

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Brasileiro ganhando Nobel

Primeiramente, deixar claro que prêmio Nobel para cientistas é um prêmio importante, como para economistas, físicos etc. Prêmio Nobel da Paz é política. Pura política.

Vejam o quadro do 4-Block World ilustrando os feitos dos presidentes americanos ganhadores e não ganhadores do prêmio.

Sendo assim, analisaremos o contexto de Obama para chegar no prêmio para o Brasil. Tudo que Barack Hussein fez foi uma autobiografia (de questionável autoria, tendo em vista que o estilo de escrita é absolutamente diferente de seus escritos na Law School em Harvard) e dizer que seu governo traria CHANGE. Todos consideravam que CHANGES deveriam ocorrer no sistema a fim de minimizar os riscos de uma depressão.

Acontece que tudo que Obama fez até agora foi proclamar a CHANGE e não fazer praticamente nada de relevante que demonstrasse a efetividade de suas CHANGES.

Portanto, sugiro que o comitê norueguês analise melhor as candidaturas ano que vem de pessoas importantes como Mano Changes. Para não-gauchos, um ser desconhecido. Ele era cantor de uma banda chamada Comunidade Nin-Jitsu e ao ver o próspero futuro que a música lhe reservava ele decidiu entrar para a política. Tudo que ele fez foi tentar atingir o público jovem do estado para se eleger como deputado usando o seu "sobrenome" na campanha. Isto é, Mano propunha CHANGES na sociedade e se considerava capaz de fazê-lo. Ele foi eleito e não se sabe bem se suas CHANGES foram relevantes.

Em resumo, tudo que Obama fez até agora nos Estados Unidos, Mano Changes fez no Brasil. Por que não imaginar o nosso primeiro Nobel?

Força, Mano Changes!!

Conheçam um pouco de seu trabalho:
Música: Ah, eu tô sem erva.

Trecho de sua campanha: como vice prefeito de Porto Alegre

sábado, 29 de agosto de 2009

Mãe Rússia

Todos sabem o quanto a Rússia contribuiu para a melhoria de vida da humanidade. Matemáticos brilhantes, comunistas safados que servem de motivo de risada a todos, esportistas olímpicos, tenistas da WTA, mas o que poucos sabem é que um país sério como esse teve sua maior contribuição na natação.

domingo, 9 de agosto de 2009

Quarta é sempre feira no supermercado

Nacional, Zaffari, Extra, Carrefour: o que esses nomes têm em comum? Todos eles, de fato, são grandes redes de supermercado existentes no Brasil. No entanto, é possível apontar mais uma semelhança entre esses estabelecimentos: a prática de promoções, sempre às quartas-feiras. Qual a racionalidade econômica que está por trás dessa decisão? Porque os preços são menores na quarta-feira, e não no início ou fim-de-semana?

Aqui, mais uma vez, a característica de sinalização dos preços relativos pode nos ajudar a fornecer algumas respostas. A queda nos preços nada mais é que uma resposta a uma redução na demanda. Dada essa situação, os ofertantes oferecem incentivos para que seus produtos sejam consumidos através de promoções. Os motivos exatos pelos quais ocorre esse ajustamento podem ser os mais variados, mas é possível refletir um pouco sobre a questão e elencar algumas conjecturas.

O ato de realizar compras de acordo com a necessidade diária (on demand), mesmo para as pessoas que gostam de fazer isso, acarreta custos. Entre eles, existe o custo de oportunidade do tempo, o deslocamento, estacionamento, entre outros. Como os agentes econômicos são racionais, quanto mais essas despesas puderem ser evitadas, melhor. Por esse motivo, o maior movimento nos supermercados se dá no fim-de-semana, quando o custo de oportunidade do tempo para a maioria desses agentes é baixo, já que, ao longo semana, pode ser simplesmente impossível deixar de trabalhar para fazer compras, ou mesmo aproveitar pra descansar depois de um dia estafante no serviço. Dessa forma, alguns indivíduos têm o perfil de realizarem ranchos com periodicidade semanal, quinzenal, ou mesmo mensais e o fazem no início da semana (domingo ou segunda-feira, por exemplo). Ademais, existem pessoas que desejam descansar no fim-de-semana e não estão dispostas a enfrentar os transtornos causados pelo grande movimento das redes no fim-de-semana. Ocorre, portanto, um movimento de antecipação, de tal sorte que as compras são realizadas, por exemplo, na quinta ou sexta-feira.

O mais interessante de tudo isso é que as promoções surtem o efeito desejado. O dia de maior movimento ao longo da semana se dá justamente nas quartas-feiras, quando os preços são menores. Isso sugere, de um modo geral, que a elasticidade-preço da demanda (em módulo) é alta, de tal sorte que alterações no preço causam grande impacto na quantidade demandada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Mundo Perfeito Deles

Tendo em vista as diversas pressões psicológicas para mudança de pensamento e ação das pessoas na nossa sociedade, como seria o mundo se todos seguíssemos (ou fôssemos obrigados a seguir) essas pressões? Provavelmente ninguém (às vezes um louco como eu) para para pensar na tentativa constante de inibição de nossas liberdades que sofremos ao longo do tempo, diria eu, diariamente. Tratarei de algumas aqui.

Inspirado pelo comentário de um amigo meu começo falando do vegetarianismo. A militância praticada por alguns membros desse hábito faz com que ele pareça mais uma seita do que uma opção voluntária por determinado tipo de alimento e faz com que os não praticantes sejam considerados pecadores. Nós economistas, cansados de saber que função de utilidade é algo individual e incomparável entre pessoas, sabemos que o fato de John e do George comerem carne não foi o principal motivo pelo fim dos Beatles. (O fato dos dois Beatles vegetarianos estarem vivos não quer dizer nada – Lennon morreu baleado e George devido a um câncer na garganta). O que quis dizer por trás da metáfora musical inevitável é que ninguém ganha ou perde utilidade dependendo da alimentação de outra pessoa. Se um jovem em Taiwan está comendo carne ao invés de salada, eu não sou mais ou menos feliz/saudável. Então por qual motivo alguns vegetarianos são tão agressivos quanto a essa questão? Espero que seja por desconhecimento desse arcabouço teórico econômico.

Outro aspecto importante de pressão, principalmente nessa década, é o fator ambiental. Eles (Al Gore e sua turma) tentam implementar na imprensa (sem qualquer justificativa plausível) que devemos parar com o consumo de energia não renovável, como petróleo. As empresas que poluem demais devem ser punidas, países idem. Devemos mudar todos nossos hábitos como compras em supermercado, o modo como nos vestimos, o que comemos e tudo mais que tem efeito sobre o clima, segundo os “especialistas”. Estamos ainda esperando algo que nos faça acreditar que o que eles dizem é verdade. Ainda dá tempo (ou não).

Outra forte pressão, essa realmente muito atual, é pelo aumento da participação do governo na economia. Não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo: planos, estímulos, resgates, tudo que se possa imaginar advindo dos governos sendo considerados a única salvação para o mundo.

O que isso parece? O governo controlando a economia, os ambientalistas controlando as empresas e os hábitos das pessoas, os vegetarianos controlando nossa comida. O que todos eles têm como característica comum, como já dito, é a intervenção nem sempre benigna na vida das pessoas. De fato, se a pessoa opta por uma alimentação mais saudável ela aumenta as chances de viver mais, ceteris paribus. Se as pessoas começarem a usar sacolas de pano ao invés das de plástico no mercado vai ter menos poluição, isso é um fato, mas pra temperatura da Terra não vai ter efeito algum. Mas porque isso tem que ser imposto e não pode ser uma prática voluntária das pessoas? Tudo aquilo que é voluntário e não inibe as liberdades de terceiros é desejável. Mas um mundo como o que esses controladores imaginam estará muito mais próximo do caos do que da prosperidade.

Imagina tudo isso acontecendo simultaneamente. É isso que você quer? Ter tudo controlado por governos e ONG’s, sem poder escolher o que é melhor para si? Eles sabem mais que você sobre o que é melhor para você mesmo? Pense bem ao aderir aos ideais de massas. Se forçar algo nas pessoas é a única saída, é porque aquilo a ser forçado não foi considerado bom o suficiente para ser aceito espontaneamente.