quarta-feira, 9 de junho de 2010

Economia do futebol

Segue uma reportagem interessante do site Globoesporte.com. A matéria mostra como diferentes estruturas tributárias entre os países europeus podem interferir nas escolhas dos jogadores que estão se transferindo para o Velho Continente. Como bem explicitado, o melhor salário não é, necessariamente, maior em valor absoluto, mas sim aquele com as maiores cifras no conceito líquido (depois de descontados os impostos).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Racionalidade das Expectativas de Inflação

O papel das expectativas de inflação na política econômica é fundamental. Com o desenvolvimento do pensamento sobre expectativas se colocou em dúvida (na época) uma importante relação consolidada até então, a curva de Philips (que estabelece um trade-off entre inflação e desemprego). Dependendo da visão que se tem sobre as expectativas a curva se comporta de uma maneira.

Não apenas neste caso, mas o papel das expectativas ainda é relevante para o estudo do comportamento de diversas variáveis na Economia, como por exemplo regras de política monetária (regra de Taylor). Primeiramente, é necessário se deixar claro que no avanço do estudo sobre o tema se passou de modelos bastante simples de formação de expectativas para assim chegarmos nas mais importantes, a saber, adaptativas e racionais.

As expectativas adaptativas são derivadas de um modelo de defasagens distribuídas, que diz que o efeito de uma política se dá em diversos períodos ao longo do tempo e com impactos diferentes em cada um. As expectativas adaptativas são portanto, uma visão backward-looking da formação de expectativas, sendo o seu valor determinado pelo valor passado. Com o passar do tempo, viu só que não apenas o valor passado determinava o valor presente da inflação como se pode trabalhar em qualquer defasagem temporal, sendo o valor presente determinando o valor futuro da inflação.

Assim surge a a hipótese das expectativas racionais. A grosso modo, ela diz que a previsão de cada agente não é melhor nem pior que da previsão da própria teoria, isto é, os agentes utilizam da melhor forma possível a informação relevante do momento. Por ser uma das teorias mais relevantes e ainda consistente com a teoria econômica, faremos a seguir um teste para ver se em um caso específico da economia brasileira a hipótese se aplica:

O exercício que segue serve para ver se as expectativas medianas do Banco Central do Brasil seguem comportamento racional. Alguns esclarecimentos são necessários:
i) Está se usando o agente mediano das expectativas do Banco Central, isto é, a expectativa mediana para 12 meses a frente. Logo, não se está analisando a eficácia do Banco Central ao prever o valor da inflação.
ii) A regressão utilizada é da forma IPCA(t) = a + b.Expec(t,t-12) + erro.
iii) Expec (t,t-12) quer dizer: expectativa de inflação para t há 12 meses atrás.
iv) Será feito um único teste de racionalidade, logo, o resultado pode ser visto apenas como um indício e não a comprovação de que a expectativa mediana segue ou não racionalidade.
v) Com o teste de viés de expectativa, espera-se que para haver racionalidade o valor da constante "a" seja zero e do coeficiente "b" da equação deveser igual a um.
vi) Os dados foram retirados do Banco Central do Brasil. Expectativa mediana de inflação ao consumiro (IPCA) para 12 meses a frente e inflação mensal (acumulada em 12 meses). O período da amostra é de dez/2003 a ago/2008.

Resultados da Regressão:



Com a hipótese nula de que os coeficiente "a" e "b" conjuntamente sejam insignificantes, rejeita-se essa hipótese (prob (F-statistic) = 0.000005). De tal maneira, o teste F necessita da hipótese de normalidade dos resíduos, que não precisa ser especificada aqui. A racionalidade é novamente rejeitada com os resultados do Teste Wald, onde se rejeita a hipótese de que os valores são zero.

De tal maneira, não se pode afirmar que o valor é estatisticamente igual a zero. Sendo assim, o que o resultado demonstra é que a previsão mediana para o IPCA 12 meses a frente pelo Banco Central não deve apresentar comportamento racional, uma vez que ele não passou no teste de viés. Ele erra a previsão e o faz sistematicamente.

Lembrando que esse é apenas um dos testes. Esse teste é um dos que compõem a minha monografia, cujo tema é justamente os testes de racionalidade das expectativas de inflação.

Agradeço ao Pedro Sant'Anna (Homo Econometricum) pela correção nos comentários.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

IOF e suas distorções

As bolsas de valores de todo o mundo vêm sofrendo um movimento de recuperação nos últimos meses. Dadas as perspectivas de melhoras diante da crise econômica mundial, diversos ativos, como as ações, se valorizam no mercado. Nesse contexto, de menor aversão ao risco, os investidores deixam de aportar recursos em títulos muito seguros (e com menor rendimento) e passam a aplicar em papéis de economias emergentes como a do Brasil (com o intuito de auferir maiores rendimentos). Esse fluxo tem, como um de seus principais reflexos, a valorização do real frente ao dólar, cuja cotação é uma das menores dos últimos meses. Para conter essa queda, o governo recentemente lançou mão de uma medida que visa impedir tal movimento: a instituição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado de capitais estrangeiros que aplicam em títulos e ações da bolsa de valores no valor de 2%.

Os principais argumentos utilizados pelo ministro da fazenda, Guido Mantega, para justificar essa medida foram: evitar o surgimento de uma nova bolha especulativa no Brasil e conter a valorização do real, que prejudica os exportadores. Foi também uma forma do governo fazer caixa, frente à queda de arrecadação causada pela crise. No entanto, essa é uma medida que fere o livre mercado pelos seguintes motivos:

1) Instituir um “pedágio” para o investimento estrangeiro pode ter efeitos muito adversos. O investidor, ao analisar seus custos de oportunidade, pode chegar à conclusão que investir no Brasil não é a melhor escolha. Essa ação torna-se danosa, já que é de conhecimento comum que, para viabilizar o desenvolvimento econômico de um país, seu mercado de capitais deve ser sólido, o que inclui a presença de capitais de curto prazo, ou seja, capitais que visam ganhos num curto espaço de tempo. Nesse sentido, os efeitos de uma crise econômica qualquer serão maiores ou menores dependendo dos fundamentos macroeconômicos de cada país: e é justamente aqui que a ação do governo deve se centrar. A adoção de políticas econômicas responsáveis como superávit primário, metas de inflação, câmbio flexível, bom nível de reservas, entre outras, tornou a economia brasileira menos vulnerável a esses choques adversos quando comparamos o atual momento com relação há 10 ou 15 anos atrás.

2) A taxa de câmbio, como qualquer preço numa economia de mercado, deve ser livre para flutuar. Se isso não ocorre, os agentes econômicos têm incentivos distorcidos, o que gera uma má alocação de recursos. De fato, os exportadores deixam de ganhar quando o câmbio está valorizado, mas isso acaba reduzindo os custos para os importadores, que podem contratar mais, gerando renda. A percepção das pessoas com relação a essa mudança no preço relativo (real sobrevalorizado), fará com que as mesmas tenham estímulos para importar mais, viajar com maior freqüência para fora ou aplicar dinheiro no exterior, por exemplo, o que levará a taxa de câmbio para um equilíbrio. Ademais, diante do enfraquecimento do dólar, o Brasil pode importar uma maior quantidade de tecnologias do exterior, aumentando nossa competitividade e contribuindo para aumentar o crescimento econômico.

domingo, 9 de agosto de 2009

Quarta é sempre feira no supermercado

Nacional, Zaffari, Extra, Carrefour: o que esses nomes têm em comum? Todos eles, de fato, são grandes redes de supermercado existentes no Brasil. No entanto, é possível apontar mais uma semelhança entre esses estabelecimentos: a prática de promoções, sempre às quartas-feiras. Qual a racionalidade econômica que está por trás dessa decisão? Porque os preços são menores na quarta-feira, e não no início ou fim-de-semana?

Aqui, mais uma vez, a característica de sinalização dos preços relativos pode nos ajudar a fornecer algumas respostas. A queda nos preços nada mais é que uma resposta a uma redução na demanda. Dada essa situação, os ofertantes oferecem incentivos para que seus produtos sejam consumidos através de promoções. Os motivos exatos pelos quais ocorre esse ajustamento podem ser os mais variados, mas é possível refletir um pouco sobre a questão e elencar algumas conjecturas.

O ato de realizar compras de acordo com a necessidade diária (on demand), mesmo para as pessoas que gostam de fazer isso, acarreta custos. Entre eles, existe o custo de oportunidade do tempo, o deslocamento, estacionamento, entre outros. Como os agentes econômicos são racionais, quanto mais essas despesas puderem ser evitadas, melhor. Por esse motivo, o maior movimento nos supermercados se dá no fim-de-semana, quando o custo de oportunidade do tempo para a maioria desses agentes é baixo, já que, ao longo semana, pode ser simplesmente impossível deixar de trabalhar para fazer compras, ou mesmo aproveitar pra descansar depois de um dia estafante no serviço. Dessa forma, alguns indivíduos têm o perfil de realizarem ranchos com periodicidade semanal, quinzenal, ou mesmo mensais e o fazem no início da semana (domingo ou segunda-feira, por exemplo). Ademais, existem pessoas que desejam descansar no fim-de-semana e não estão dispostas a enfrentar os transtornos causados pelo grande movimento das redes no fim-de-semana. Ocorre, portanto, um movimento de antecipação, de tal sorte que as compras são realizadas, por exemplo, na quinta ou sexta-feira.

O mais interessante de tudo isso é que as promoções surtem o efeito desejado. O dia de maior movimento ao longo da semana se dá justamente nas quartas-feiras, quando os preços são menores. Isso sugere, de um modo geral, que a elasticidade-preço da demanda (em módulo) é alta, de tal sorte que alterações no preço causam grande impacto na quantidade demandada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Mundo Perfeito Deles

Tendo em vista as diversas pressões psicológicas para mudança de pensamento e ação das pessoas na nossa sociedade, como seria o mundo se todos seguíssemos (ou fôssemos obrigados a seguir) essas pressões? Provavelmente ninguém (às vezes um louco como eu) para para pensar na tentativa constante de inibição de nossas liberdades que sofremos ao longo do tempo, diria eu, diariamente. Tratarei de algumas aqui.

Inspirado pelo comentário de um amigo meu começo falando do vegetarianismo. A militância praticada por alguns membros desse hábito faz com que ele pareça mais uma seita do que uma opção voluntária por determinado tipo de alimento e faz com que os não praticantes sejam considerados pecadores. Nós economistas, cansados de saber que função de utilidade é algo individual e incomparável entre pessoas, sabemos que o fato de John e do George comerem carne não foi o principal motivo pelo fim dos Beatles. (O fato dos dois Beatles vegetarianos estarem vivos não quer dizer nada – Lennon morreu baleado e George devido a um câncer na garganta). O que quis dizer por trás da metáfora musical inevitável é que ninguém ganha ou perde utilidade dependendo da alimentação de outra pessoa. Se um jovem em Taiwan está comendo carne ao invés de salada, eu não sou mais ou menos feliz/saudável. Então por qual motivo alguns vegetarianos são tão agressivos quanto a essa questão? Espero que seja por desconhecimento desse arcabouço teórico econômico.

Outro aspecto importante de pressão, principalmente nessa década, é o fator ambiental. Eles (Al Gore e sua turma) tentam implementar na imprensa (sem qualquer justificativa plausível) que devemos parar com o consumo de energia não renovável, como petróleo. As empresas que poluem demais devem ser punidas, países idem. Devemos mudar todos nossos hábitos como compras em supermercado, o modo como nos vestimos, o que comemos e tudo mais que tem efeito sobre o clima, segundo os “especialistas”. Estamos ainda esperando algo que nos faça acreditar que o que eles dizem é verdade. Ainda dá tempo (ou não).

Outra forte pressão, essa realmente muito atual, é pelo aumento da participação do governo na economia. Não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo: planos, estímulos, resgates, tudo que se possa imaginar advindo dos governos sendo considerados a única salvação para o mundo.

O que isso parece? O governo controlando a economia, os ambientalistas controlando as empresas e os hábitos das pessoas, os vegetarianos controlando nossa comida. O que todos eles têm como característica comum, como já dito, é a intervenção nem sempre benigna na vida das pessoas. De fato, se a pessoa opta por uma alimentação mais saudável ela aumenta as chances de viver mais, ceteris paribus. Se as pessoas começarem a usar sacolas de pano ao invés das de plástico no mercado vai ter menos poluição, isso é um fato, mas pra temperatura da Terra não vai ter efeito algum. Mas porque isso tem que ser imposto e não pode ser uma prática voluntária das pessoas? Tudo aquilo que é voluntário e não inibe as liberdades de terceiros é desejável. Mas um mundo como o que esses controladores imaginam estará muito mais próximo do caos do que da prosperidade.

Imagina tudo isso acontecendo simultaneamente. É isso que você quer? Ter tudo controlado por governos e ONG’s, sem poder escolher o que é melhor para si? Eles sabem mais que você sobre o que é melhor para você mesmo? Pense bem ao aderir aos ideais de massas. Se forçar algo nas pessoas é a única saída, é porque aquilo a ser forçado não foi considerado bom o suficiente para ser aceito espontaneamente.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O lado da oferta

Em decorrência da crise financeira mundial, o Governo brasileiro iniciou recentemente uma campanha publicitária para incentivar os brasileiros a consumir mais. A idéia é simples:  se os consumidores efetuarem maiores dispêndios, os empresários terão que se adequar a esse novo cenário, realizando investimentos e contratando mão-de-obra. Isso, por sua vez, provoca um aumento na renda da população, possibilitando a “roda da economia girar”.

A Grande Depressão de 1929 fez com o estado americano lançasse mão de instrumentos de estímulo a demanda, como gastos em infra-estrutura e subsídios e crédito agrícola, no que ficou conhecido na história por New Deal. Keynes, na sua Teoria Geral, afirmava que em períodos de crise era necessário adotar políticas anticíclicas, ou seja, o estado deveria incorrer em déficits fiscais nas situações de contração da economia para garantir o pleno emprego. Essa é, em última instância, o pensamento que rege as idéias dos heterodoxos. A solução para a atual crise, portanto,  é aumentar a “demanda efetiva”. No entanto, a análise supracitada negligencia um fato de suma importância.

Um simples modelo de oferta e demanda agregada, com preços no eixo das ordenadas e produto no eixo das abscissas, conforme o gráfico abaixo:

 

A economia, inicialmente, encontra-se no ponto 1, onde há equilíbrio entre oferta e demanda agregada. Uma expansão da demanda, sem uma contrapartida na oferta, leva o produto para um nível acima do pleno emprego (ponto 2). Nesse caso, há um aumento de preços e salários. Isso significa que os custos para os empresários aumentam e que os mesmos devem, racionalmente, reduzir a oferta, para se adequar a nova realidade. A economia chega então ao ponto 3, onde houve somente expansão dos preços, e não do produto.

Ao desconsiderar a oferta, os heterodoxos cometem um erro primário, tendo em vista que essa é uma restrição para a expansão da demanda. Vamos supor que o governo considere o setor de metalurgia como “estratégico” e decida comprar a produção do mesmo. Como os recursos são escassos, deverá haver realocação dos mesmos entre os diferentes segmentos da economia. Isso inclui, por exemplo, capital, mão-de-obra, matérias-primas e tecnologia, de tal sorte que os mesmos não são mais empregados da maneira mais eficiente possível. Isso faz com que o PIB não cresça tanto quanto poderia crescer. Além disso, o estímulo artificial do estado pode provocar o chamado efeito crowding-out do investimento privado. Nesse caso, o aumento dos gastos governamentais provoca uma alta na taxa de juros, desencorajando a formação bruta de capital fixo, de modo que o efeito sobre a demanda agregada é nulo. 

Outra maneira possível de compreender essa questão é através da Parábola da Janela Quebrada. A história se passa com um menino que jogava bola com seus amigos e que, ao desferir um chute, quebrou a janela do seu vizinho. O menino, na visão keynesiana, poderia ser considerado um benfeitor para a sociedade, já que seu vizinho terá que comprar um vidro novo, estimulando assim a indústria que fabrica vidros, que contrata mais pessoas e gera um círculo virtuoso. No entanto, o cenário acima desconsidera que a alocação ótima dos recursos do vizinho do menino não é com um vidro novo. Tanto o produto da sociedade, quanto a utilidade do homem não estará no ponto de maior eficiência.

As crises econômicas requerem ajustes por partes dos agentes econômicos. As decisões de produtores e consumidores são soberanas e racionais. Portanto, se a resposta ótima dos consumidores em um período de turbulências for a cautela, que assim seja.

sábado, 25 de outubro de 2008

A relação entre os preços das commodities e o Ibovespa

O Brasil é um grande produtor de uma vasta gama de matérias primas. Empresas como a Vale (produtora de minérios) e Petrobrás (responsável pela extração de petróleo) abastecem o mercado interno e geram excedentes exportáveis. Essas duas companhias têm ações negociadas na BOVESPA, e seu peso na carteira que compõe o Ibovespa, incluindo ações ordinárias e preferenciais, ultrapassa 34%, segundo informações do site da Bovespa.

Devido a essa grande representatividade, as variações das ações dessas empresas costumam influenciar de maneira significativa o índice Ibovespa. Mas qual pode ser uma fonte desse tipo de variação? Uma resposta adequada é o preço com que essas commodities são negociadas no mercado. Por exemplo, se os preços estiverem elevados,  as empresas conseguirão auferir uma maior receita para uma mesma quantidade comercializada, e vice-versa. Abaixo segue um gráfico de uma série histórica diária desde 19 de maio desse ano que procura captar um pouco dessa relação entre a variação no Ibovespa e os preços das commodities.


O preço das commodities está representado pelo índice da Commodity Research Bureau (CRB), e a fonte dos dados é essa aqui. Já as variações no Ibovespa foram retiradas do site da Bovespa. Como é possível perceber, a partir da metade de junho, o índice CRB e o Ibovespa apresentam um padrão semelhante.

Mas porque as firmas em questão estão tendo um desempenho tão ruim, mesmo com resultados contábeis significantes como esse da Vale? Isso se deve ao fato de que, com a atual crise, algumas economias de grande importância internacional já começaram a dar sinais de desaceleração. Países que crescem menos investem menos em infra-estrutura e consomem menos bens e serviços. Dessa forma, importam uma quantidade menor de matérias-primas. Com menos demanda, o preço de equilíbrio para uma dada oferta se reduz.

Enquanto houver uma enxurrada de notícias ruins sobre as perspectivas de crescimento economia mundial, as ações ligadas a commodities tenderão a se depreciar mais ainda.

sábado, 18 de outubro de 2008

A efetividade da lei seca

Há alguns meses entrou em vigor em todo o território nacional uma lei que proíbe que os condutores de veículos automotores tenham qualquer nível de alcoolemia, a chamada “Lei Seca”. Como defensor dos princípios da liberdade dos indivíduos, endosso que qualquer pessoa tenha o direito de beber o quanto quiser, já que ninguém melhor do que a própria pessoa para julgar os custos e benefícios de sua decisão. No entanto, ao dirigir bêbado um veículo, um cidadão gera externalidades negativas, pois está  ferindo a liberdade de terceiros.  Por isso, uma legislação para impedir esse comportamento se faz necessária.

A promulgação dessa lei gerou grande repercussão entre todos os membros da sociedade, incluindo motoristas e donos de estabelecimentos comerciais que têm como fonte de receita a venda de bebidas alcoólicas. No entanto, o que muita gente parece não perceber é que, mesmo antes da “Lei Seca”, JAMAIS se permitiu o comportamento de risco do motorista. A diferença se deu no tocante a fiscalização, que aumentou enormemente sob a forma de “blitz”. Passados alguns meses, vale ressaltar uma experiência própria: a fiscalização caiu abruptamente.  E é sob esse prisma que torna-se possível usar uma das possíveis abordagens para compreender a efetividade dessa lei.

O uso de uma simples ferramenta matemática pode ajudar a compreender melhor o comportamento de motoristas diante de uma legislação. O valor esperado (esperança matemática) de uma variável X é a média ponderada de seus possíveis resultados, com probabilidades determinando o peso para cada um desses resultados.

Matematicamente:  VE= ∑p.X,

 onde p é a probabilidade de ocorrer o resultado de X.

Vamos supor que “X” seja o custo total arcado pelo condutor quando o mesmo comete alguma infração no trânsito e “p” seja a probabilidade do condutor ser autuado quando comete uma infração. Nesse caso, a fórmula se torna simplesmente: VE = p.X.

Agora vamos imaginar dois cenários. No primeiro, vamos supor, como alguns defendem, que a legislação se torne extremamente rígida (por exemplo, multa de R$ 1 milhão de reais e suspensão do direito de dirigir por 20 anos) para alguém que dirija bêbado. Se esse aparato legal não for acompanhado de fiscalização, o valor esperado de transgredir  será baixo, pois o “p” na equação será muito pequeno. Isso implica que mesmo indivíduos avessos ao risco podem querer guiar embriagados. Num outro cenário, a legislação não é tão dura. Porém, a fiscalização é bem maior. Nesse caso, mesmo “X” não sendo tão grande, o valor de “p” é considerável, fazendo com que o valor esperado seja maior que no cenário “1”, induzindo o motorista a pensar duas vezes antes de assumir a direção alcoolizado. Com esse simples exemplo em mente, pode-se dizer que não há necessidade da “tolerância zero”, já que é de conhecimento comum que pessoas que bebem uma, ou até duas latas de cerveja podem tranquilamente dirigir. Todos então ficariam em melhor situação: tanto os cidadãos que poderiam beber moderadamente, e, ao mesmo tempo, deixariam de ser encorajados a tomar um comportamento de risco – diminuindo o número de acidentes de trânsito e vítimas fatais –  quanto os donos de bares e restaurantes que não teriam que arcar com tantos prejuízos em função da lei.

A lição tirada do exemplo acima é a seguinte: se o indivíduo tiver ciência de que existe uma probabilidade razoável de ser encontrado bêbado ao dirigir um veículo, ele não vai tomar esse comportamento. O rigor da lei está na sua fiscalização, e não nos seus efeitos punitivos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Você tem um padrão de vida melhor que o do seu avô?

A velha retórica dos indivíduos que não defendem a economia de mercado está repleta de frases feitas, mas que simplesmente não condizem com a realidade. Existem argumentos (vale frisar, sem qualquer embasamento) que dizem que nós estamos alocando muito tempo para o trabalho e nos privando da família. Também existem pensamentos de que houve uma piora na distribuição de renda de uns anos pra cá, ou seja, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres.

No entanto, dados intertemporais de uma série de variáveis podem nos fornecer conclusões interessantes sobre o padrão de vida da população. Esse artigo aqui mostra como os jovens americanos estão em uma situação melhor, quando comparada com a dos seus avôs. Eles trabalham menos horas e ganham mais, o que demonstra o brutal ganho de produtividade ao longo dos anos. A melhora na tecnologia permite viver mais, com mais qualidade. O consumo de todas as classes sociais aumentou substancialmente.

Essas são apenas algumas das informações que remetem ao imenso ganho de bem-estar obtido pela população dos EUA nesses anos. Não é difícil imaginar que economias pró-mercado também conseguiram melhorar seus padrões de vida.

Dito de uma forma resumida: que bom que eu nasci em 1985, e não em 1940!